Problema conceitual

Novembro 29, 2007

Uma das principais diferenças entre o homem e a mulher se apresenta em termos de cronologia. O homem divide o tempo em duas partes: o tempo útil e o tempo livre. O seu tempo livre, ele quer dividir entre a mulher, os amigos, Relógioo futebol, o churrasco etc. Já a mulher considera o tempo como um bloco único. Se o tempo útil do homem ocupa quase toda a semana, parece lógico à mulher que todo o resto (que para ela quase sempre é pouco) seja dedicado somente a ela. Daí já viu, a confusão está armada.

Mafalda e LibertadOntem eu sonhei que estava morando em Brasília com a minha família, mas lá se falava francês e estávamos ainda na ditadura militar. Decidimos fazer um passeio de carro, cruzando a Asa Sul e a Asa Norte, em direção a Sobradinho. A uma certa altura, um soldado nos parou. Pediu para ver o mapa que tínhamos na mão. Como era um mapa da América Central, ele achou suspeito e mandou todo o mundo descer do carro – ia todo o mundo em cana. Nessa hora acordei revoltado, pensando como que um garoto mais novo tinha o poder de me julgar ali, sumariamente, sem direito à defesa ou alguém a quem recorrer. Hoje, durante o dia, fiquei pensando. Acho que quem não viveu a ditadura não tem a real dimensão do que é realmente viver sem liberdade. Tudo bem, eu também não vivi a ditadura, mas hoje eu acho que a liberdade é o conceito mais importante que se deve garantir. Por isso, acho que se está dando pouca atenção ao nosso vizinho Hugo Chávez. Não é normal governar um país com um congresso sem oposição. Não é normal o presidente propor uma Constituição (O Evo pelo menos convocou uma Constituinte). Não é normal existir ilimitadas reeleições. Claro, o povo pode votar em outras pessoas, mas, conforme for o caso, tudo se ajeita em favor de quem está no poder. O Saddam ficou mais de vinte anos à frente do Iraque, travestido de democrata, com eleições a cada tanto, sempre se reelegendo com mais de 90% dos votos. Escuto muito que a campanha contra o Chávez é só pressão da “imprensa de direita”, ou “coisa da Veja”. Bom se fosse.

Dupla dinâmica 01. Sirius Isness – Psychedelic Love Stories

02. Xerox Illumination – 3rd Dimension (Z Machine rmx)

03. Infected Mushroom – I Wish (Skazi Rmx)

04. Sirius Isness – Out of reality

05 .Beckers – Switch (Wrecked Machines rmx)

06. Space Tribe and Sirius Isness – Dead Serious

07. Sirius Isness – Osaka Blues

08. 1200 Micrograms – High Paradise

09. Sirius Isness – Dirty Drugs

10. Tikal – Chers Amis

Do início. Da vaidade.

Novembro 25, 2007

Devil’s AdvocateEu nem gosto de blogs. Nunca li, nunca me interessei. Se foram cinco ou seis vezes na vida que acessei algum blog foi muito. Sempre achei que não passam de uma das muitas formas de as pessoas mostrarem o mais comum dos pecados: a vaidade. No fim de “O Advogado do Diabo”, Al Pacino olha para a câmera com um sorrisinho e diz: “Vanity, my favorite sin”. Tem toda a razão. Cada dia mais me impressiona como tanta coisa no mundo é movida tão somente pelo sentimento da vaidade. O palanque para o político, o pódio para o esportista, a notícia no jornal para o engajado ou para o especialista, os aplausos para o artista, o olhar invejoso dos amigos para a namorada bonita, o olhar deslumbrado dos alunos para o professor, ser convidado para uma palestra (e contar para os colegas, mas de forma modesta, quase casual), tocar numa festa, perguntar o que acharam do prato que cozinhou para os amigos, pagar uma conta sem conferir com o ar de que não se importa com o valor, escrever um blog. Vaidade pura. O mais triste é notar que a gente só sente as vaidades dos outros. As nossas próprias passam quase sempre despercebidas. Como ninguém é imune a elas, acho que não resta alternativa a não ser tentar percebê-las em nós mesmo e, assim, evitar as mais gritantes. Ou pelos menos canalizá-las para as esferas onde sejam menos prejudiciais, não na política ou na vida profissional, por exemplo. Bem-vindos a esse blog, a última representação da minha vaidade inofensiva.