Do início. Da vaidade.

Novembro 25, 2007

Devil’s AdvocateEu nem gosto de blogs. Nunca li, nunca me interessei. Se foram cinco ou seis vezes na vida que acessei algum blog foi muito. Sempre achei que não passam de uma das muitas formas de as pessoas mostrarem o mais comum dos pecados: a vaidade. No fim de “O Advogado do Diabo”, Al Pacino olha para a câmera com um sorrisinho e diz: “Vanity, my favorite sin”. Tem toda a razão. Cada dia mais me impressiona como tanta coisa no mundo é movida tão somente pelo sentimento da vaidade. O palanque para o político, o pódio para o esportista, a notícia no jornal para o engajado ou para o especialista, os aplausos para o artista, o olhar invejoso dos amigos para a namorada bonita, o olhar deslumbrado dos alunos para o professor, ser convidado para uma palestra (e contar para os colegas, mas de forma modesta, quase casual), tocar numa festa, perguntar o que acharam do prato que cozinhou para os amigos, pagar uma conta sem conferir com o ar de que não se importa com o valor, escrever um blog. Vaidade pura. O mais triste é notar que a gente só sente as vaidades dos outros. As nossas próprias passam quase sempre despercebidas. Como ninguém é imune a elas, acho que não resta alternativa a não ser tentar percebê-las em nós mesmo e, assim, evitar as mais gritantes. Ou pelos menos canalizá-las para as esferas onde sejam menos prejudiciais, não na política ou na vida profissional, por exemplo. Bem-vindos a esse blog, a última representação da minha vaidade inofensiva.

3 Respostas para “Do início. Da vaidade.”

  1. [...] Abril 26, 2008 Adoro as piadinhas sobre o vôo do Padre, só reforçam minha opinião de que quase tudo no mundo gira em torna da vaidade… [...]

  2. Helder Felu disse

    Oi. A reflexão em torno da vaidade é pertinente e muito interessante. Concordas se incluir nesse contexto a maravilhosa abertura das olimpíadas? Será também vaidade da China para com o mundo?

  3. Marcos disse

    Não havia pensado nisso, mas acho que de certa forma sim. Tem um pouco de pura estratégia de marketing mesmo, mas, como quase tudo, tem um fundinho de vaidade.

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